Na fotografiapincei fragmento
de um instante
que não existe mais.
Inexorável tempo....
não há o que te segure.
Quanta velocidade!
Difícil a vida de quem fica em Belo Horizonte no Carnaval por ter que trabalhar ou por não gostar da muvuca momesca pelas tristes variações funqueiras e baianas assimiladas à festa. O que fazer para manter a tradição diária de tomar uma cerveja, com tantos bares – até mesmo os famosos por relutarem ao máximo em fechar suas portas nas altas madrugadas – em completa hibernação? Uma boa saída é o Bar Bias, antigo Hi-Fi, também conhecido com Boêmio's (os garçons não sabem explicar o motivo do apelido, que é mais ou menos óbvio pelo estilo dos frequentadores). A cerveja é gelada e a comida, ótima. Qualquer filé ou massa pode ser pedido sem susto. A Alessandra não gostou do ovo que veio em um Caol que pedimos, mas o conjunto da obra, afirma, estava bom. Para mim, sem defeitos. Não sei dizer quanto ao tira-gosto. Minha amiga Simone Johnnie Walker falava muito bem da porção de palmito. De quebra, no Boêmio's, você pode conhecer o "seu" Nonô, um advogado de aproximadamente 90 anos que mora na região. Não se engane se passar pela área durante o dia e encontrá-lo tomando sorvete de limão ao lado da mulher. O negócio de ambos é a cana, à noite, no Boêmios. "Seu" Nonô prefere o estilo "pura". Já a mulher, vai de caipirinha. O marido raramente sai de perto da companheira, a não ser para uma ou outra gracinha dirigida às beldades que passam por lá. Tudo sem qualquer recriminação por parte da esposa. Se aparecer por lá e conhecer o casal, preste bem a atenção em ambos. Pode ser que você tenha a sorte de chegar como eles a esta etapa da vida.
Foto: Lenício Siqueira

Em Havana, tinha todo um roteiro de lugares que levei anotado para conhecer. Por outro lado, pisando na Ilha, criei um outro roteiro para uma tarefa que estava na minha cabeça: derrubar a tese de um monstro da literatura mundial. E a minha luta era provar que Ernest Hemingway estava errado ao escrever na parede do mais famoso buteco de Cuba a seguinte frase: “my mojito in La Bodeguita / my daiquiri in El Floridita”.Desculpe, Hemingway, por desconfiar de ti.

Um mundo de sabores se abre quando a vedete da mesa é o bacalhau. Do mais prosaico bolinho, preferência nacional em bares e botecos, até as tradicionais bacalhoadas, presentes nas casas dos brasileiros, geralmente, aos domingos ou na Semana Santa.
1 kg de bacalhau dessalgado, limpo e em lascas grandes
1 kg de batata bolinha cozida sem casca
2 cebolas picadas
10 champignons de Paris e seis shitakes fatiados
3 pimentões coloridos (verde, amarelo e vermelho)
1 colher de gengibre ralado grosso
2 colheres de curry
250 ml de leite de côco
Azeitonas verdes e pretas
Azeite à vontade
Pimenta-do-reino a gosto (triturada e em grãos)
1 - Numa panela ampla, esquentar o azeite e fritar, por alguns minutos, parte das cebolas e pimentões cortados em tiras finas (Julienne) e o gengibre.
2 e 3 - Em seguida, acrescentar as lascas de bacalhau e mais outra parte das cebolas e pimentões. Regar com azeite.
4 - Deixar mais alguns minutos e acrescentar as batatas previamente cozidas, os cogumelos e, por último, o restante das cebolas e pimentões. Pimenta a gosto.
5 - Cobrir com o curry dissolvido em um pouco de água. Ralar um pouco mais de gengibre por cima. Deixar cozinhar mais alguns minutos e distribuir as azeitonas na panela. Evitar mexer para o bacalhau não desmanchar.
5 – Por último, acrescentar o leite de côco e esperar o caldo engrossar.
Para quem quiser navegar pelo mundo do bacalhau, seguem esses endereços:
www.1001receitas.com
www.bacalhau.com.br
http://www.noruega.org.br/culture/Bacalhau/

O sistema de distribuição de bebidas alcoólicas do Canadá diferencia de acordo com as leis específicas de cada província. Em Quebec, por exemplo, é muito parecido com o Brasil. Encontra-se bebida nos supermercados e nas lojas de conveniência. Já aqui em Ontario, o caminho das pedras é outro. Se quer comprar um etílico para levar pra casa, existem lojas exclusivas para isso. A Beer Store, de propriedade das 3 maiores companhias de cerveja do país, é responsável pela distribuição de mais 300 marcas da loirinha (entre nacionais e importadas). Ao entrar numa loja dessa, a percepção que se tem é que você está nos jardins do Éden, diante de tanta tentação. Você imaginaria dois cariocas perfeitamente adaptados a terras mineiras a ponto de montarem um típico buteco belorizontino, com tira-gosto simples, bom e regado a cerveja gelada? Se desconfia que isso possa ocorrer, vá ao bar dos Porretes, no Prado. Os irmãos Xóbrio e Pórrio, como são conhecidos os donos do bar – apelidos que vieram naturalmente, com o acúmulo de bagagem etílica – fazem questão de dar ao bar a atmosfera do estado que adotaram, a começar pela comida. Maçã de peito e costelinha de porco estão entre os tira-gostos. O blog esteve por lá no sábado. Eu e a Alessandra fomos atraídos pelo anúncio de um osso buco feito pelo próprio Xóbrio ao comentar um de nossos posts – além disso, conforme regra estabelecida por nossa diretoria, visitas têm que ser retribuídas sob pena de danos à irmandade butequística. O osso buco estava irrepreensível, mas Xóbrio avisa. Parte dos tira-gostos não integra diariamente o cardápio. O negócio, então, é o seguinte: se dirija ao local. O que tiver para comer, coma. Reclamações – sei que elas não existirão – neste blog. O bar dos Porretes fica na esquina das ruas Oeste e Calcedônia. Os amantes do futebol têm espaço garantido no local, mas não adianta insistir para passar o jogo do seu time. A escolha da partida é feita de acordo com o número de torcedores de cada equipe presentes no bar. Exemplo: caso coincidam os horários das pelejas de Cruzeiro e Atlético, e no momento dos jogos houver mais cruzeirenses que atleticanos no estabelecimento, a disputa a ser televisionada será a do time da Toca. A regra vale até mesmo quando o time do coração dos donos do bar estiver para entrar em campo. Ambos,
Foto: Alessandra Mello



Prezados leitores, desculpe a demora, mas queríamos presenteá-los com um impagável vídeo da inauguração da boite do Bar do João, mas por problemas técnicos até hoje não conseguimos postá-lo. Por causa disso até agora não entrou nada no blog sobre a inauguração da boite, na útima sexta-feira de janeiro. Enquanto não resolvemos as questões técnicas, segue uma foto da festa e um breve relato dessa noite memorável. Em breve, postaremos o vídeo, que mostra nada mais nada menos que nossos companheiros de blog, Leonardo Augusto e Bernardino Furtado, dançando a la Village People, famosa banda estadunidense, nascida nos redutos gays de Nova Iorque, lá pela década de 70.
Um dos charmes dos butecos são seus nomes. Existem os clássicos como Bar do João, Bar da Esquina, Bar do Zé, Bar da Ana, Bar do Antônio, Bar do Veio, entre outros que levam a marca de seu próprio dono.
Quebrei um tabu nesta minha última visita ao Rio de Janeiro. Há cerca de 15 anos frequentava o que acreditava ser o bar com o melhor galeto na cidade: o Braseiro, na Domingos Ferreira, 214, em Copacabana. E para lá me dirigi no meio e uma tarde de segunda-feira. Cerveja gelada, galeto assado na brasa, arroz, batatas fritas e um vinagrete. Tudo servido em um balcão com não mais que uns trinta bancos, daqueles pregados no chão. Coisa do destino, o bar estava lotado e com fila na porta. Ao ver a cena, minha companheira Alessandra, que quando o assunto é tomar uma e comer bem sempre se movimenta mais do que o normal, teve um rompante e atravessou a rua. Fiquei um tempo parado, esperando o que a companheira ia arrumar. Ela entrou em um local – mesmo estando próximo não consegui identificar qual era –, saiu e deu um berro: "ô, Leo, aqui!". Caminhei e percebi que a companheira tinha encontrado o Craque do Galeto. Não vou jogar fora 15 anos de relação com o Braseiro, mas daquele sábado em diante, passou a ser aquela namorada que você, ao vê-la do outro lado da rua, apenas grita, "tudo bem?". A diferença entre o Braseiro e o Craque é percebida nos detalhes. A comida é basicamente a mesma. No tempero, porém, a mais recente descoberta da Alessandra no Rio dá de dez. O ponto contra no Craque está relacionado à ventilação. O local tem apenas uma porta, é mais comprido que o Braseiro e não tem janelas. A "refrigeração" é feita por um conjunto de ventiladores, ao passo que, no rival da frente, com duas portas e mais próximo da calçada, o calor fica mais ameno. Infelizmente, não temos fotos do Craque do Galeto. A companheira Alessandra, responsável pelo controle da máquina fotográfica, não comprou pilhas para o equipamento. Já as do Braseiro, feitas um dia antes, estão aí.
Fotos:Alessandra Siqueira
© copyright by Lenício Siqueira
Foto: Angélica Diniz
A expressão “trem” ,muito usada em Minas, às vezes é difícil de explicar. Por mais que o Aurélio tente. Mas todo bom mineiro que se preza, entende sem pestanejar. A criança quando nasce, já tem um trem apitando nos trilhos do seu inconsciente. É algo que desafia a metafísica. Um verdadeiro trem de doido.
Aqui estão duas iguarias da comida mineira que muito me agradam. Me fazem lembrar do tempo que morei no interior, da fazenda dos meus avós, da boa vida de quem mora pelos recantos de Minas e valorizam a boa comidinha caseira. Uma combinação difícil de ser oferecida nos restaurantes e botecos da capital Belo Horizonte, mas fácil de se encontrar em restaurantes de cidades como Tiradentes (Bichinho), Diamantina, na Serra do Cipó, entre tantos outros que não tem apelo turístico. Se não encontrar no cardápio, basta pedir para a cozinheira que ela faz com maior boa vontade, pois os ingredientes estão logo ali, no quintal dela. Não foram raras as vezes que fiz isso e me dei bem. Agora, em casa, você mesmo pode preparar a sua. Não perca tempo. É muito fácil.Modo de fazer
Limpar a costelinha, tirando o excesso de gordura. Temperar com a mistura especial, mais molho inglês e três colheres de sopa de cachaça. Deixar marinar por 1 hora. Na panela, dissolver uma colher de sobremesa de corante em uma colher de óleo. Colocar a costela e acrescentar meio copo de água. Deixar cozinhar por 30 minutos e, de vez em quando, regar com água para não secar e grudar na panela.
Assim que a carne estiver cozida, acrescentar mais cinco colheres de óleo para fritar a costelinha. Nesse processo que cozinha e frita, a carne fica corada e não muito escura.
Enquanto isso, lavar as folhas de couve e retirar os talos. Talvez seja o momento mais difícil dessa receita: cortar a couve. Colocar as folhas uma sobre as outras e montar um rolo grosso de forma que as pontas dos seus dedos indicador e polegar não consigam se encontrar. Segurar firme o rolo e, com uma faca bem afiada, começar aparando as folhas para que fiquem do mesmo tamanho. Em seguida, iniciar a laminação da couve em fios não muito finos (para a farofa).
Numa frigideira, aquecer uma colher de óleo, juntar um pouco do tempero que usou na costelinha e pouco de cebola picada e pimenta a gosto. Passar a couve por 1 minuto e, fora do fogo, acrescentar a farinha de mandioca.
Quando a costelinha estiver no ponto, retirar da panela e deixar escorrer no papel. Tá pronta essa delícia. Servir a costelinha rodeada de farofa de couve. Cobrir com cheiro verde e cebola. Serve como tira-gosto ou refeição, acompanhada de arroz branco e tutu de feijão.
A diretoria desse buteco não mede esforços para tentar oferecer o melhor serviço aos seus fregueses. Em contato constante, sempre estão trocando informações. E para isso não existe hora e nem lugar. Seja tomando uma cerveja gelada no calor dos trópicos ou um café com Kahlúa no rigoroso inverno do norte."Buteco Virtual"